13/09/2013
Estou pensando na
história de um amigo. Ele era rico e não foi criado para trabalhar para
ninguém. Seu destino era ser um empresário, como o pai. Ele foi criado,
portanto, para mandar. Então, seu pai faliu e ele passou anos tentando fazer
com que algum empreendimento seu vingasse. Mas como tudo começava com pouco capital e
sem funcionários suficientes, acabava não dando certo. Aí, ele começou a dar
aulas de francês, que sabia falar bem. É engraçado, ou melhor, irônico, que o
mais rico da turma de adolescentes hoje seja o mais pobre. Todos os outros
melhoraram de vida. Uma tem uma boa pensão do pai militar, que ainda complementa com seu
trabalho; outro é alto funcionário público; outro prosperou como corretor e
abriu sua própria imobiliária. Nem sempre ele vai ao encontro deles nas reuniões,
porque nem sempre tem dinheiro. Ele inventa desculpas, mas todos sabem a
verdade. O pau dele mal sobe e sua autoestima anda tão baixa, que ele não se
atreve a dar em cima de ninguém depois que sua última namorada o deixou. A
única coisa que o faz aguentar a situação é pensar insistentemente que tudo
passa, tudo muda. Daí, ele se apega à ideia de que a agonia vai acabar, o
sertão vai virar mar e ele vai sair da solidão imensa em que vive para uma vez
mais gozar a vida. Vale a pena frisar que a única coisa
que o impede de se jogar da ponte Rio-Niterói (ideia que já lhe ocorreu
infinitas vezes) é o pensamento de que um dia vai gozar de novo mesmo que, aqui
e agora, sinta tanta dor em silêncio. Ele acha que nunca vai ter um câncer
porque ainda quer muito amar e sempre se lembra do versículo 17 do salmo 118,
que, aliás, é sua frase favorita no FB:
Não
morrerei, mas viverei e contarei as obras do Senhor.
Repetindo mentalmente
essa frase, ele se acalma, confiando que vai viver muito e que o livro que
escreve nas horas vagas – meio autobiografia; meio ficção – vai ser publicado.
Só
quero saber do que pode dar certo...
Posta uma amiga. Ela é
do tipo de pessoa positiva, para quem o sol sempre nasce, a primavera sempre
vem, a Justiça não falha e a Terra é azul. Pobre idiota. Aliás, "Só os idiotas são felizes"... foi uma frase que eu escrevi há muito tempo e que mora em algum texto perdido no emaranhado de papéis aqui de casa.
Eu me lembro de outra
amiga que nunca teve muito dinheiro e que passou a viver ainda com mais
dificuldade depois que teve dois filhos. A cada hora ela inventa um troço; já
foi organizadora de residências, massagista, DJ de festas infantis, poetisa,
artesã, atriz. Nada dá certo, mas ela não desiste e logo surge com uma nova
invenção.
E eu, por que não tenho
mais tempo para nada? Cadê minha alegria, meu otimismo contagiante? Às vezes
parece que algo se extinguiu em mim... como uma chama que se apaga. Mas meu velho
otimismo põe a cabecinha do lado de fora e clama que não morreu... que,
talvez, esteja apenas um pouco adormecido. Quero que seja mesmo só isso.
Afinal, quero renascer. Por que, de repente, a depressão tem que virar
uma coisa normal? Nem parece tão séria quanto a de muitas amigas, mas não sei
se o fato de ser leve é melhor. Porque
elas choram. Já eu, contemplo... olho o nada. Elas sentem tristeza. Eu,
melancolia. No entanto, acabei de postar:
Depois que parei de pensar ansiosamente no que não
tinha, eu me dei conta de que tenho muito mais para agradecer do que para
pedir.
Como a gente mente. E
como a gente acaba acreditando nas mentiras que inventa...
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