Capítulo 4


Gosto de ouvir black music. Ouço numa rádio online. Tocou, agora, uma música do Marvin Gaye. Muito legal. Daí, eu lembro que ele foi assassinado pelo pai e digito:


Morte de Marvin Gaye


Descubro que ele sempre havia discutido com o pai. Daí, o tempo passou, ele já era famoso e morava só, mas teve uma depressão depois de uma turnê e resolveu passar uma temporada na casa dos pais. Um dia, ele discutiu com o pai mais uma vez, porque não queria que ele continuasse gritando com a mãe. Então, o pai pegou sua arma e deu um tiro certeiro no peito de Marvin. Assim, calou-se de vez a voz que dizia, na música “What’s going on”: Pai, pai. Nós não precisamos acirrar os ânimos. Veja, a guerra não é a resposta. Porque apenas o amor pode vencer o ódio. Você sabe que nós temos que encontrar um meio. Para trazer um pouco de amor para cá, hoje.
 *
No jornal, leio a frase de Brecht: 
Arte não é um espelho para refletir a realidade, mas um martelo para moldá-la.  
Meu pai... meu pai virou uma voz que ouço de vez em quando no telefone.
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A alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos. 
          Ao menos, é o que alguém decreta no Facebook.
Na publicação de um outro amigo, eu descubro que existe um gato chamado Ashera - será que se pronuncia “Áxera”,“Axêra” ou “Axéra”? Vou no link:

Conheça a raça de gatos geneticamente modificados mais cara do mundo. Ashera não é apenas o mais raro, mas também o mais caro gato doméstico do mundo. É uma mistura de gato doméstico e selvagens híbridos. O Ashera pode pesar até 14 quilos e alcançar quase 1 metro de comprimento, sendo considerado também um dos maiores gatos do mundo.
          Fico imaginando que, com tanta modificação genética, talvez ainda consigam que a alma se atrofie para sempre, de forma a acompanhar, em sua eterna infância, o corpo proibido de envelhecer. 








 




 

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